[ notas mínimas ]

capa notas minimas


Sinopse

Coletânea de microcontos de Katherine Funke. São narrativas curtas que abrangem momentos sublimes de uma vasta gama de situações humanas, a maioria delas em circunstâncias bastante comuns, como uma caminhada pela rua, a fila de um banco ou a espera em um aeroporto. Os textos foram originalmente publicados em blog. Ilustrado pelo designer Enéas Guerra com traços de bico de pena digital.

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ORELHA |
por Wladimir Cazé*

Um mantra ecoa nas notas (musicais) de Katherine Funke: viver cada instante em si, com o tempo que lhe é próprio, sem se deixar arrastar pela velocidade imposta pelo cotidiano. A escrita como uma ferramenta de aperfeiçoamento do ser produz “palavras-cantigas de ninar” (“Kappus, hoje”). Katherine captura o mundo com um olhar distanciado, mas deixa sua marca pessoal com a desmontagem das máquinas indutoras de automatismos da percepção. Uma sabedoria selvagem emerge destes aforismos, microcontos, crônicas em cápsulas e minirreportagens poéticas. Neles, a escritora constrói um retrato do tempo como uma viagem na qual somos todos “efêmeros passageiros suspensos na direção de seus destinos, seus acasos, seus passados, seus futuros” (“Congonhas”). “Notas mínimas” se insere na tendência, que veio para ficar, de trabalhos literários testados primeiro em meio eletrônico e, sucedaneamente, editados em livro.

* O poeta e jornalista Wladimir Cazé publicou “Microafetos”, “Macromundo” e folhetos de cordel.

+ onde encontrar “notas mínimas” para vender: no site da editora,

+ na Livraria Cultura,

+ na Livraria Saraiva, Livraria da Travessa (Rio de Janeiro),

+ nas Livrarias Curitiba e Catarinense

+ na Livraria Midas (Joinville),

+ e em outras livrarias, por aí; ou pergunte para mim se por acaso não tenho alguns exemplares para enviar pelo correio:

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6 comentários em “[ notas mínimas ]”

  1. Katherine, conheci seu livro “Notas Mínimas” e realmente é muito interessante em todos os aspectos, desde a diagramação, ilustração e formato do material. Muito bom mesmo. Do mínimo pode-se tirar várias máximas cotidianas.

    ABraços

  2. EM DOSE MINIMAS
    PSEUDÔNIMO: LUA

    Katherine Funke, jornalista de profissão que aderiu a Literatura, nasceu em Joinville. Baiana por adoção lançou em 2010 “Notas Mínimas” pela Solisluna Editora. Seus contos nascem dos fatos. Com o sexto sentido de uma gata e o faro de um vira lata, mexe e remexe o lixo social, vasculha a sua intimidade solta, tem uma poética sutil de um sentimento solidário com as dores do mundo, fragmentada, sagra e esmaga, numa linguagem de cortes mínimos, mas aprofundada, que deixa marca e perturbação na carne e no espirito do leitor.

    É às vezes lírica. Antes de entra nas suas notas nos convida a um pileque com Baudelaire. É preciso estar sempre embriagado. Embriagamo-nos e já estamos sentados num barzinho degustando no bar, na rua, na sala, em casa, essa vida desmedida, anárquica, em Salvador ou no sertão baiano, em Brasília. Com uma cerveja, um cigarro que são os prazeres e os perigos, o vicio para esse vazio da solidão. Essa urgência da vida que paralisa o cérebro, o desbloqueio mental, o difícil desapegar das coisas, como uma velha mochila numa consulta em não quer mais carregar embrulhos dos erros de não agir.

    Os personagens que cruzam nos seus contos são do cotidiano, o cara do fígado doente, o empregado cansado de tanto trabalho, da parca comida. E fica na duvida de Hamlet: De dizer ou não dizer? Ou como Racine: “nem tudo se diz da criminosa imaginação”.

    A lembrança da literatura popular manifesta nos seus contos, no caráter que reitera em ondas como o mar e se ouve uma melodia, que se pode cantar. Funke traz uma melodia textual que conserva essa essência popular, os motivos, situações, personagens, citações, lendas narrativas nas quais aparecem nos textos: Geisa e a empada de chocolate, o amor de Tina pelo marujo e Creia. Soa uma mulher ansiosa em ondas buscando a si mesmo por mares e oceano a encontrar seu próprio porto.

    O conto é um gênero muito difundido entre os autores brasileiros, muita gente anda confundido o conto, apelidando de micro conto. Uns dos primeiros contistas do modernismo, Osvaldo de Andrade, já se expressava nos seu conto: “No pão de açúcar de cada dia, dai nos Senhor a poesia de cada dia”, cantado por Caetano Veloso. Raul seixas em um dos Lps recitava: “O açúcar é doce, é coisa que eu não posso afirmar, mas que doce é”. E o nosso bossa nova João Gilberto: “Olha aqui esse sambinha feito de uma nota só”.

    Notas mínimas nos remete a música. Notas (símbolos correspondentes aos acordes musicais) mínimas de expressão com pouco recurso que soam como minimalista – movimento dos anos sessenta que ficou só entre os pintores e músicos – quase como um libreto para opera.

    Só que a literatura tem o conto como uma das suas expressões. Pois não existe micro conto, não falo em quantidade, mas da intensidade inspirada num texto. O conceito de mini, médio ou macro é um preconceito, pois o conto não pede pra ser macro, médio ou micro. Um conto é um conto e pronto. Pode-se escrever com uma palavra ou vinte mil palavras. Resumindo no dizer de Mario de Andrade: “Conto é tudo aquilo que o autor chama de conto”.

    Faz-nos perguntar. Nos deixa com milhões de perguntas. Por que o humano faz tanto barulho? Estrutura em pauta como uma jornalista compositora. Suas interpretações em quadros como uma coisa de retalhos, alinhavado em duras penas. A pena em que vai desfiando como um pássaro desafiando, os barulhos, a insônia, a fila, os classificado. Por que o Humano faz tanto barulho? A insônia, a fila, os classificados, o sonho de Edgar, a pulsação, a camuflagem, o remédio par relaxar, o carteiro com medo dos sentimentos se tornou mecânico.

    Hoje viveremos para hoje e é só. Do erro humano, o querer ser a flor de boldo e dos ipês. Ler as cartas de Rilke. Os acarajés para pagar promessas, a memoria e a intuição do pianista. O inatingível, a insone, foi assim. Alice não mora mais aqui. Bom dia torturante de Fabio, secura, norma ótica não querendo ser máquina, simples assim na procura por novas palavras, o submundo da ladeira da preguiça, um dia cheio de tempo em verdades desfocadas e mantra nervoso, Franz e o traficante de mulher, o resto é o silencio!

    Que seja bem vida e continue como Trevisan, cada dia mais sintética e nos presentei como nas casas brasileiras, com pequeno café, um chá, um chocolate ou uma dose de pinga, com seus sabores inigualáveis.

    1. Cara! Que estímulo, acordar e receber assim uma crítica por email, de um leitor desconhecido (não te conheço, certo? ou ao menos não estou lembrada –– me perdoe se for o caso). Muito muito obrigada!

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