Arte da Palavra no Sesc Joinville

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Esta semana (4/4/17), tive o prazer de mediar dois encontros da etapa de Circuito de Autores do programa Arte da Palavra do SESC, na unidade do SESC de Joinville (SC). Pela manhã e à noite,  Walther Moreira Santos (PE), 48, e Ithalo Furtado (PI), 31, conversaram entre si e com o público.

Interagindo o tempo todo com a plateia (formada em parte também por autoras e autores de várias idades e trajetórias), os convidados falaram principalmente sobre estratégias de publicação, divulgação, mercado, participação em concursos e premiações, relacionamento com contemporâneos, mídias e processos criativos.

foto: Jorge Gumz

Ao final de cada sessão, os dois autores indicaram leituras marcantes e inspiradoras. Compilei esta breve lista útil a todo louco por literatura – também para que se possa entender melhor o estilo de cada um:

livro favorito:

WALTHER: Grande Sertão – Veredas, João Guimarães Rosa.
“Volto a este livro a cada sete anos, para mim é sagrado.”

ITHALO: O Estrangeiro, de Albert Camus.
“Livro marcante, modificou completamente minha forma de ver o mundo.” 

indicações de leituras contemporâneas:

WALTHER:
1. Tudo o que tenho levo comigo, de Herta Mülller.
2. O assassino cego, de Margaret Atwood.
3. A fugitiva, de Alice Munro.

ITHALO:
1. Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues.
2. A Puta, de Márcia Barbieri.
3. Balés, de Bruna Beber.

Para acompanhar  a agenda do Arte da Palavra, consulte o calendário do SESC da sua cidade.

 

texto: Katherine Funke
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fotos: Jorge Gumz / SESC Joinville

 

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poeminhas de um brasilzão [work in progress]

existe poesia para o absurdo?
pois o absurdo dos absurdos é que existe.
e existe o absurdo de existir
um porque, neste mesmo mundo,
a existência do absurdo da poesia
[porque estou lendo Beckett, “Textos para nada”]
*
primeiro choque
a lama se revolvendo rio choro os pescadores choram o rio revolvido pela lama, a alma engana, não eram predadores apenas, queriam

(…)
– mamãe, eu quero brincar com você

A Florianópolis de Cruz e Souza em roteiro histórico

Neste sábado (7/3) , em Florianópolis (SC), quem quiser conhecer melhor este mapa pode acompanhar o roteiro histórico “A Desterro de Cruz e Souza“.

Promovido pelo programa Santa Afro Catarina, o trajeto sai às dez da manhã lá de debaixo da Figueira.

Como assim? É só chegar na Praça da Figueira? É. Às dez da manhã.

Saiba mais neste link de notícias da UFSC.

*

Grátis.

*

… de Cruz e Souza são muitas as poesias
que amo.
segue aqui uma delas.

Tu és o louco da imortal loucura.
O louco da loucura mais suprema,
A terra é sempre tua negra algema,
Prende-se nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema,
Faz que tu’alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado,
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco.

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espamos imortais de louco!”

O ASSINALADO estaria anexado em um documento do “setor de pessoal da estrada de ferro Central do Brasil”, do Rio de Janeiro como denúncia de que um arquivista negro chamado João da Cruz e Souza, “natural de Sta. Catarina”, fora encontrado com esse poema de sua lavra.

“Pede-se providências”, diz o bilhete, o que fez o poeta Paulo Leminski responder com um livro sobre vida e obra de Cruz e Souza.

Uma edição deste livro de Leminski (Brasiliense, a edição de capa amarela) está na mão do poeta que lê todo o documento lá pelo décimo sexto minuto deste episódio do programa De lá pra cá (TV Brasil):

*

O programa Santo Afro Catarina vai promover outros roteiros. Saiba mais no blog provisório e conheça suas propostas, entre elas “(…) atribuir novos significados a espaços já visitados.

*

mais uma viagem na lagoa

Ponto de embarque, no trapiche n. 1 da Lagoa da Conceição | foto Marina Moros

Neste sábado (11/5), a partir das 16h, sai o segundo passeio de barco com sarau do projeto “Viagens na Barca” aqui em Floripa.

Selecionado no edital da Bolsa Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura, da Funarte, o projeto está sendo desenvolvido no Ponto de Cultura Barca dos Livros – Porto de Leituras.

Batizado de “Dentro do barco, o mar”, o sarau de maio tem como temática o mar – e seus assuntos correlatos, como navegações, migrações, diversões e contemplações da praia, por exemplo.

Os participantes podem trazer trechos de sua autoria ou de livros de sua biblioteca pessoal, ou mesmo do acervo da Barca dos Livros. Todos os que quiserem são convidados a ler em voz alta, para compartilhar; quem não tiver vontade, pode trazer o livro ou cópias do texto para lermos silenciosamente, dentro do barco, durante o passeio.

Eu mesma estou levando “My boat”(Meu barco), poesia de Raymond Carver em tradução minha; e “Leitura de uma onda”, de Ítalo Calvino.

Segue o convite!

convite para o sarau do dia 11 / clique para ampliar

em doses mínimas

Surpresas boas acontecem. E às vezes em uma manhã de domingo.

Depois de uma demorada leitura na edição impressa do Rascunho deste mês, sento-me para começar a escrever. Antes da solidão criativa, decido checar emails. Vício, coisa e tal. Eis que me deparo com um longo comentário sobre meu livro de contos “Notas mínimas” (Solisluna, 2010). De repente, não mais que de repente. E de um desconhecido!

Um leitor! Um leitor! Um leitor deve ser comemorado com fogos de artifício. Um leitor crítico, ainda mais!

O escritor que diz que não se importa com o leitor, ou com a crítica, ou com o que os outros pensam sobre o que faz, está mentindo. Não devemos pautar nossas linhas por esses fatores (ao contrário!) mas, quando acontecem, nos alimentam de um modo ou de outro: com estímulos, com sugestões, com provocações ácidas, com perguntas indiscretas…

Bem, o referido leitor não só gostou do livro, como decidiu escrever um longo comentário! Segue um trechinho:

“Notas mínimas” nos remete à música. Notas (símbolos correspondentes aos acordes musicais) mínimas de expressão com pouco recurso que soam como minimalista – movimento dos anos sessenta que ficou só entre os pintores e músicos – quase como um libreto para ópera.”

O texto completo está publicado nos comentários da página sobre o livro. Preciso dizer que ganhei o dia, a semana, o mês? Muito grata, seu moço*. Que você sinta a mesma felicidade que me proporcionou. Um email desses nos deixa alucinadamente felizes – tanto, ou mais, que fila em noite de autógrafos!


* p.s.: nessas poucas horas entre a publicação original deste post e este adendo, troquei emails com o autor do texto: Aloísio Andrade. Não o conheço mesmo, de fato. Pessoa bacana. Escreveu o texto para o edital de estímulo à crítica de artes, da Funceb. Disse que lutou para achar o livro. “Encontrei na biblioteca do Rio Vermelho que uma menina tinha deixado na hora em que cheguei”. Que figura! Mais uma vez, muitíssimo grata!

três. bem rápidas. e boas

1. domingo, 25, tem o Ação Poética no MAM_BA. Uma porção de poetas, dos bons, estarão lá. Se tudo der certo, vou assistir. Quem puder, leva um livro para deixar por lá.

2. participo com uma poesia da edição de março da revista Um Conto (MG). Dá para saber mais aqui.

3. em breve, este blog publica algumas entrevistas com escritores. É o início de uma série; quando e onde vai parar, não sei.

que época, 2011…

Ah, um ano que se acaba. Deixa em mim a ideia de 365 dias de pura atividade. Adrenalina. Grande ano:

– Passei os seis primeiros meses do ano escrevendo um livro de crônicas com apoio da bolsa Funarte de criação literária – categoria gênero narrativo. Para “Sem Pressa”, produzi uma enorme quantidade de linguagens, temas e linguagens. Foi um pequeno passo em uma longa caminhada, mas ainda assim um passo dado com toda a concentração que a ideia exigia. Agora é editar e publicar.

– Estive no palco do Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Salvador Shopping, com a banda Pessoas Invisíveis, para mesclar o rock autoral de Bruno Carvalho com textos do meu livro de contos “Notas Mínimas” (Solisluna Editora, 2010). A participação mais que especial do ator Bertrand Duarte na interpretação dos textos foi um espetáculo. Estou até hoje com vontade de mais.

Bertrand Duarte no espetáculo do livro "Notas Mínimas" em Salvador | foto Thiago Fernandes

– Tive a notícia-surpresa de que “Notas Mínimas” foi incluído na lista de livros a serem avaliados pelos candidatos ao edital de crítica de arte da Funceb/Secult-BA;

– Participei do Festival Nacional do Conto em Jaraguá do Sul (SC), com oficina de Nelson de Oliveira; da Semana Literária do Sesc-PR, em Curitiba, com oficina de Marcelino Freire e uma rotina de sonhos entre palestras e cafés; da oficina de leitura de Sérgio Rodrigues na Biblioteca Pública do Paraná e outros eventos literários com alta voltagem de aprendizado & beatitude. Infelizmente, não pude ir para a Flica – Festa Literária Internacional de Cachoeira, nossa Flip baiana, apesar do convite de participar de uma mesa redonda e tudo. Mas ano que vem tem mais…

– Passei quase um quarto do ano fora de casa. A viagem mais longa foi passar um mês rodando metade da Bahia, o que me proporcionou grandes encontros de almas interioranas – ainda em fase de depuração;

Pessoas Invisíveis em ação | foto Thiago Fernandes

– Colaborei com revistas de circulação nacional, entre elas a TPM e a Brasileiros, e com blogs, programas de rádio e sites bacanas;

– Li menos do que gostaria, mas mais do que eu imaginava ser possível em um ano. E aprendi a me desapegar dos livros do passado. Coloquei uma parte à venda para dar mais espaço ao que vai chegando;

– Comecei a usar iPad para ler livros. Avanço? Retrocesso? Não sei. Mas ainda sou muito mais fã das versões impressas.

– E… em 2012 vou ter bebê.

Como diz o escritor Daniel Galera: “que época para se viver”!