poeminhas antes que o mundo acabe

(1)
desequilíbrio de chackra

abobada,
abóbora queimada,
queimando-se com sálvia
na manteiga, a sálvia crocante e as palavras
brotando-me, cogumelos de pau, de dia pra noite,
brotando-me outra, trocando-me, entendendo que:

_ de repente, você acorda e lá está o cogumelo saindo da sua boca, orgânico

_ completamente improvisado

_ atropelado

_ desajeitado

{ beleza meio estranha, humana, falida, fracassada, desde a primeira frase, salvando-se se o filme fosse exibido no fast foward }

tudo guardado há tanto tempo

e tão bem guardado, fechado, abafado e calado, completamente mudo

travado no escuro até minha boca se mexer tanto, a ponto de sair tudo

brotando-me outra, trocando-me, o dentro virando fora, tudo muito rápido.

 

*

(2)

mas, de repente, talvez a temperatura do ar

explique, a ciência; a química, a física, a energia quântica

eu sei lá. a gente tem que acreditar em alguma coisa,

nem que seja numa consciência ampliada do tempo

antecipando a finitude iminente e clamando o agora

o já, o não deixe para amanhã, o

não deixe de dizer um dia – e que seja hoje,

hoje é o último dia do resto da sua vida

 

(3)

hoje é o último dia do resto da sua vida
hoje é o momento mais propício e tenso de todos os tempos

hoje é a possibilidade de felicidade dançando feito piano, pedindo para ser tocada

 

(4)

seu carma
seu dharma

e meu nada
meu dada

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Autor: katherinefunke

http://twitter.com/micronotas

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