uma história em verso



inocentes

ambulância vem desesperada com a sirene ligada
desde longe tentando abrir caminho: confusão na pista.

você abre a faixa central quase colando em um fiat
dirigido por uma mocinha surda e lenta, fechada em vidro fumê.

você trava os dentes. buzina.
– caralho! desliga o celular, querida.

ela enfim cede, inocente.

a ambulância passa.
você suspira. fez sua parte. fez, sim.
a mocinha pira (não entendeu nada).

no instante seguinte,
a sirene silencia.

o motorista reduz a velocidade.
sobe a calçada. estaciona.

o paciente morreu.

katherine funke, abril/2012.

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Autor: katherinefunke

http://twitter.com/micronotas

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