quixotescas

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
Gregório de Matos

1. Me segura, Waly Salomão, durante a amamentação. Do futuro eu não sei: nem do meu, nem do meu filho, nem de ninguém. Quem souber aí, levanta a mão e ganha um doce! Sem grilos. O presente é ler. Ler. Ler. Armarinho de Miudezas me faz companhia no momento. Já estive com versos de Drummond, com o Spleen de Paris de Baudelaire, com os que me recebem de braços abertos e me conduzem alerta, olho-no-papel-outro-no-peito, madrugada adentro, manhãzinha, seja que hora for.

Lunática? Waly me entende. Salve, Sailormoon. Me salve.

Ser poeta é um tipo de ilusão, um lunatismo, mas é demência similar à de qualquer pessoa dada a livros, e o nome dessa doença é quixotismo. (…) Aprendi em outras escolas muito mais duras, muito mais duras, que a alegria só vem bem depois, o que vem em primeiro lugar mesmo é o um caminho sofrido (…)

Caminho longo. Eu, um neném recém-nascido.

*

2. Em agosto faz dois anos que meu livro “Notas mínimas” foi lançado pela Solisluna Editora. Ainda lembro: 13 de agosto, São Paulo, friozinho bom, café quente e pão de queijo. A fila para o Padre Marcelo Rossi fazia minhocas pelo pavilhão – a Bienal do Livro fervia. Autografei alguns exemplares, a maioria para conhecidos, inclusive um tio que passava casualmente por ali (vida louca vida: esse tipo magro e distante, dono de uma empresa de livros didáticos, foi o primeiro editor a recusar meus textos; aos dez anos de idade enviei para ele o manuscrito de um livro de poesias, que permanece inédito… então imaginem a surpresa dele – e a minha – ao nos encontrarmos, eu de livro na mão, ele a fazer negócios…). Fora meu tio e os amigos, uma dúzia de transeuntes desconhecidos também notou minha figura – que não estava triste não, ao contrário: minha figura de 1,48m de altura exultava mais do que Dom Quixote. Os três atores da foto acima trabalhavam em algum stand próximo. Foram passear, descontrair, e resolveram me pedir para declamar meus contos para eles.  Surreal, não?

*

3. Um pouco de alegria, que viver é bom: na sexta passada, saiu o resultado do edital Setorial da Literatura da Funceb/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Bacana, meu projeto foi aprovado pela comissão técnica, composta, entre outros, pelo contista pernambucano Marcelino Freire e pela poeta gaúcha Angélica Freitas 

Isso quer dizer que no ano que vem darei uma oficina de contos no Cine Teatro de Lauro de Freitas. Será gratuita, seis aulas por turma, duas turmas. Mais informações em breve! Me segura, Waly, me segura!

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Autor: katherinefunke

http://twitter.com/micronotas

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