pausa nas entrevistas: investigando a gravidade

foto: Vicente Sampaio / aí estou relaxando na invertida, se é que me entendem, durante aula de yoga com Anne Sobotta Aí, relaxo na invertida. E me pergunto: o que é mais pesado, a cabeça ou a barriga? (foto de Vicente Sampaio, tirada ontem, durante aula de yoga de Anne Sobotta).

“Como as estrelas,
sem pressa,
mas sem descanso.
Vire-se cada um
com sua própria carga”
– Goethe

Em breve, uma nova entrevista de investigação chega a este blog. Não deu tempo de finalizar para hoje. Me perdoem. Às 37 semanas completas de gestação, o tempo me parece cada vez menor. Nenhum minuto a perder. Não tenho pressa, contudo. Cada dia tem se relevado melhor que o outro. It’s getting better all the time. E tenho lido bastante. De tudo. Algumas doses do que têm entrado na minha cabeça:

– À minha espera, o último capítulo de Poeira: demônios e maldições, romance de Nelson de Oliveira.
É terrível, assustador, causa insônia. Tem suspense e ao mesmo tempo as cenas que mais me encantaram foram as menos relevantes para a trama – e mais poéticas: 1) a da filha do protagonista, grávida, na banheira, pensando na barriga de alguns meses; 2) a da esposa do protagonista junto com o personagem do visitante, no terraço da biblioteca, a discutir a nomenclatura das estrelas.

– Saboreio devagar Confetes na Eira, de Franca Treur.
Nas minhas noites insones, nos intervalos do obscuro enredo de Poeira, delicio-me com as memórias romanceadas dessa holandesa (o livro vendeu 150 mil cópias por lá e aqui foi lançado em edição primorosa pela Virgilae. Nossa biografia converge em muitos pontos, agro-pastoris, familiares e afins. Relembro minha infância, é isto. E Franca me põe para dormir feliz.

– Aleatórios capítulos de Como Proust pode mudar sua vida, de Alain de Botton.
Comprei para dar de presente, mas como sempre resolvi ler antes de embrulhar. Não conheço ainda nenhum volume de Em busca do tempo perdido. Confesso, o.k., o.k.: tenho essa falha de formação etc. O estudo de Botton não substitui a leitura da obra, ao contrário, serve de convite. E é bem abrangente: trata de detalhes da vida/da trajetória criativa de um escritor, detalhes que coincidentemente me têm caído como pontos de partida para boas reflexões. Por exemplo: Proust adorava ver a lista com o horário dos trens, mesmo que não os usasse nunca. Eu também tenho umas maluquices assim. Instigam minha imaginação.

– A próxima leitura é Talvez não tenha criança no céu, de Davi Boaventura.
Duas coisas me chamam atenção imediata nesta novela juvenil: a capa, muito bem ilustrada e desenhada (mais uma peça gráfica bem feita da Virgilae) e a frase de Daniel Galera na contracapa. Li toda a obra de Galera e tenho certeza que ele não iria indicar um livro se não fosse realmente bom. Aí veio uma terceira dose instigante: Davi mora perto da minha casa, é igualmente fã declarado do estilo de Galera – e já trabalhamos na mesma empresa, embora eu não me lembrasse. Pronto; livro em mãos, agora é ler.

E vamos que vamos, investigando a gravidade. Sem pressa, mas sem descanso, como as estrelas.

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Autor: katherinefunke

http://twitter.com/micronotas

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