de emmanuel mirdad sobre “notas mínimas”

A pequenina passeia pela cidade com o seu caderninho vermelho, de páginas em branco, cinza e preto. Anota pedacinhos do que acabou de viver, pulsando, devagar e sempre. O seu corpo nu no espelho está ali, em palavras mínimas, para captar o sublime que sopra poemas em seu ouvido língua, que fala: estamos sós.

O futuro não é tão grande assim como um oceano; parece-me um riacho quase seco tal qual a fumaça que povoa múltiplas notas de um esvaziar-se. Mas a pequenina persiste, e acredita na beleza, ainda um dia, mais devagar, desacelerando e consumindo micropartículas do sol, irradiadas por estrelas à noite também.

Ela crê, agora ou nunca, nas interconexões que as formigas constróem de dentro de sua cabeça; que venha a chuva e me faça sorrir. E ela sorri e teu pequenino formato todo treme de si, feliz a se impor “estou viva e aproveito”.

Mais de quatro mil anos se passaram enquanto a observo escrever suas notas, do tamanho certo, para captar-me. E eu estou ali no caderninho vermelho também, contando as estrelas no céu e os vários desenhos de rostos diferentes. “Bobão”, ela me chama sem voz, apenas olhos e palavras, que só quer “manhãs ensolaradas, amanhã e sempre”.

Funke-se, ao interior, com a cabeça em Órion. E que venha a ressaca da lua cheia.

Emmanuel Mirdad é poeta, jornalista, escritor. Acaba de lançar o livro de contos Abrupta Sede. Escreve Farpas e Psicodelia.

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Autor: katherinefunke

http://twitter.com/micronotas

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