(( k_f)) pequenas grandes coisas reais

“Eu não estou interessado / em nenhuma teoria
(…) A minha alucinação / É suportar o dia-a-dia
E meu delírio / É a experiência / Com coisas reais…”

Belchior em Alucinação

Pausa na poesia para compartilhar um bom momento do dia de hoje: cansada de um dia longo de trabalho em que me esforcei para dar o máximo mesmo ainda com resquícios de gripe, ao fim do expediente troquei meus três mil pontos no programa de créditos de um megasupermercado por seis sacolas retornáveis.

São bem legais e resistentes, de algodão cru, com estampa bonitinha, dá até para usar para outros fins. Espero me lembrar de levá-las da próxima vez, mas já achei um lugar em casa para deixá-las visíveis.

(Mas hoje não ganhei o prometido desconto no caixa (desconto por não usar sacolas plásticas) porque a moça que veio ajudar a embalar (quase já no final) usou sacolas plásticas para embalar os produtos congelados que comprei, sem nem sequer reparar que eu tinha ainda uma das sacolas de algodão vazias. Mas, depois de ficar mais uma vez na fila por quase meia hora, eu já estava tão cansada e sem forças àquela altura da noite, admito, que decidi não ser eco-chata. Deixei pra próxima…)

Faço esse registro porque acho que as coisas podem mudar, desde que a gente também tenha a paciência e a vontade. Sim, tive de ficar numa fila. Sim, na fila tinha gente estressada, falando palavrão, ofendendo os outros etc. Sim, demorou quase meia hora. Sim, fiquei cansada. Sim, minha garganta doía e meu corpo ainda sofria calafrios da gripe.

Mas, enfim. Reduzirei drasticamente meu consumo de sacolinhas plásticas. Grandes coisas? Não, não, nada de grande. Pequenas. Ridiculamente pequenas.

Mas, junto com a música do Belchior, ou talvez até por causa dela (“Amar e mudar as coisas / Me interessa mais”), imaginei por um instante que se todo mundo fizesse o mesmo, uma escala de outras mudanças de hábito viriam em conjunto: separar o lixo para reciclagem, utilizar o material orgânico como adubo, usar saquinhos biodegradáveis para enviar o que vai para o aterro etc.

Pode ser alucinação, mas quem sabe, um dia, esse dia chega?

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Autor: katherinefunke

http://twitter.com/micronotas

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