histórias da katherine

sem pressa e sem tempo a perder

Tag: diário de bordo

três. bem rápidas. e boas

1. domingo, 25, tem o Ação Poética no MAM_BA. Uma porção de poetas, dos bons, estarão lá. Se tudo der certo, vou assistir. Quem puder, leva um livro para deixar por lá.

2. participo com uma poesia da edição de março da revista Um Conto (MG). Dá para saber mais aqui.

3. em breve, este blog publica algumas entrevistas com escritores. É o início de uma série; quando e onde vai parar, não sei.

“hoje não” circulando

quadrinhos de pedro filho para o "hoje não" de fev/2012

Nesta edição de “hoje não” (fevereiro.2012) temos uma contribuição especial de Pedro Filho Amorim (Le Rouge), músico, quadrinista, pensador e improvisador geral de partituras expontâneas. É dele a ilustração central, que adianto aqui para dar água na boca.

E tem poesia de José Juva, suposto argentino de Pernambuco, outra de Bruna Hercog, inquieta baiana, conto de Patrick Brock, super-escritor na ponte NY-BA. E ilustração de Pierre X Themotheo, premiado designer cearense-baiano, recém-lançado às tintas. Comigo ficaram um microconto, a edição, a diagramação e a distribuição.

Quem quiser um exemplar, basta me enviar o endereço – com cep e tudo.
Não: custa nada, não, seu moço.



p.s.: já passaram pelo “hoje não”: Wladimir Cazé, Ana Paula Boni, Chris Ott Mayer, Kin Guerra, Luis Daltro, Flávio Braga, Gerald Campos, Carla Bittencourt, Silvix, Carlos Henrique Schroeder, e… tô me esquecendo de alguém?

que época, 2011…

Ah, um ano que se acaba. Deixa em mim a ideia de 365 dias de pura atividade. Adrenalina. Grande ano:

- Passei os seis primeiros meses do ano escrevendo um livro de crônicas com apoio da bolsa Funarte de criação literária – categoria gênero narrativo. Para “Sem Pressa”, produzi uma enorme quantidade de linguagens, temas e linguagens. Foi um pequeno passo em uma longa caminhada, mas ainda assim um passo dado com toda a concentração que a ideia exigia. Agora é editar e publicar.

- Estive no palco do Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Salvador Shopping, com a banda Pessoas Invisíveis, para mesclar o rock autoral de Bruno Carvalho com textos do meu livro de contos “Notas Mínimas” (Solisluna Editora, 2010). A participação mais que especial do ator Bertrand Duarte na interpretação dos textos foi um espetáculo. Estou até hoje com vontade de mais.

Bertrand Duarte no espetáculo do livro "Notas Mínimas" em Salvador | foto Thiago Fernandes

- Tive a notícia-surpresa de que “Notas Mínimas” foi incluído na lista de livros a serem avaliados pelos candidatos ao edital de crítica de arte da Funceb/Secult-BA;

- Participei do Festival Nacional do Conto em Jaraguá do Sul (SC), com oficina de Nelson de Oliveira; da Semana Literária do Sesc-PR, em Curitiba, com oficina de Marcelino Freire e uma rotina de sonhos entre palestras e cafés; da oficina de leitura de Sérgio Rodrigues na Biblioteca Pública do Paraná e outros eventos literários com alta voltagem de aprendizado & beatitude. Infelizmente, não pude ir para a Flica – Festa Literária Internacional de Cachoeira, nossa Flip baiana, apesar do convite de participar de uma mesa redonda e tudo. Mas ano que vem tem mais…

- Passei quase um quarto do ano fora de casa. A viagem mais longa foi passar um mês rodando metade da Bahia, o que me proporcionou grandes encontros de almas interioranas – ainda em fase de depuração;

Pessoas Invisíveis em ação | foto Thiago Fernandes

- Colaborei com revistas de circulação nacional, entre elas a TPM e a Brasileiros, e com blogs, programas de rádio e sites bacanas;

- Li menos do que gostaria, mas mais do que eu imaginava ser possível em um ano. E aprendi a me desapegar dos livros do passado. Coloquei uma parte à venda para dar mais espaço ao que vai chegando;

- Comecei a usar iPad para ler livros. Avanço? Retrocesso? Não sei. Mas ainda sou muito mais fã das versões impressas.

- E… em 2012 vou ter bebê.

Como diz o escritor Daniel Galera: “que época para se viver”!

de vez em quando, um trecho de rascunho perdido

Escreve-se para os vizinhos ou para Deus.
Tomei o alvitre de escrever para Deus
com o fito de salvar meus vizinhos.
(Sartre)

(…)

bóra recomeçar. uau. o bloco de notas até deu uma pirueta agora, de tão feliz. recomeçar. que palavra bonita. todos os meus músculos se retesaram e se soltaram. parece até que alguma revelação vai acontecer.

eu não sei porque procuro sempre esse momento da revelação, do contato com sublime, e quero tentar manter esse enlêvo em todos os momentos. talvez isso seja um erro, porque o sublime não está em todos os momentos – não, não, quero dizer: está.

está, mas você não deve ficar tentando atingi-lo, senão simplesmente vai perdê-lo.

o mais bacana desse ponto de encontro com o sublime é que mora no dia a dia e nas pequenas coisas, nos pequenos encantos. mas a visão de tudo tem que ser ampla, daí a fuga para o trivial e o retorno para o sublime, no eterno ciclo sonhar/sobreviver.

minha mente parece ser um objeto inatingível até mesmo para mim. aliás: prin-ci-pal-men-te para mim. mas, o.k. eu disse recomeçar. “perdi minhas ilusões fabulosas”, escreveu sartre. eu não perdi nada ainda.

ligo a câmera. me filmo escrevendo. seriam censurados esses vídeos se passassem na tv. mostram meu rosto em transe. nada mais. isso seria de enlouquecer. ou de mudar de canal. mostram barulho de teclado, de tecla enter criando espaço em branco. aí muda o fundo de tela do computador para cores laranjas e azuis vibrantes e parece mesmo que tudo vai ficar melhor.

sem dúvida a indústria das ilusões está cada vez mais avançada. juro: vi lábios carnudos e convites de amor na minha frente, mas isso talvez seja porque estou sentada diante do meu amor, meu amor com a boca aberta dormindo, boca aberta mas dentes cerrados, uma das pernas dobrada. ele não está quase em nunca em casa a esta hora, uma e treze da tarde. enter, enter. tela branca. ilusão.

bóra. tico-tecotico-teco-dã-dã-dã. eu fico assim por dias horas ligadas querendo que saia alguma coisa de tico-teco. dã: na verdade eu sei que se espremer não sai nada. só sai da vida. eu ia continuar a frase, mas acho que disse tudo. só sai da vida.

“viajo porque preciso, volto porque te amo”

bike em mucugê / foto: katherine funke

um dia ainda vou ter
uma bicicleta amarela
aí vou passar o domingo
inteiro nela

em vez de abrir janela
após janela
na minha tela

*

*

CINCO rapidinhas para mentes curisosas:

1. A Solisluna Editora está na Bienal do Livro da Bahia, com todo o catálogo, inclusive meu “notas mínimas”. Fica no Centro de Convenções, Salvador, BA.

2. Continuam abertas as inscrições do Concurso Estadual de Crítica de Artes , da Funceb…

3. Pra salvar a sexta à noite, quando a opção é ficar em casa: Canal Brasil. Além do puta programa do Charles Gavin, depois vem filmes brasileiros. Essa semana, foi “Viajo porque preciso, volto porque te amo”. Assisti sem precisar sair de casa, depois de passar os últimos trinta dias fora. “Porra. Trinta dias”.

4. Aqui, um excelente texto do Fernando Rodrigues sobre a lei de acesso a informação, assunto que interessa a todos nós.

5. Depois de passar os primeiros seis meses de 2011 numa correria saborosa, movida a cafeína, para entregar o livro “Sem Pressa” para a Funarte, agora estou escrevendo muito mais à mão do que no computador. Carajo, como faz diferença! Felicidade existe.


+ links & ideias rapidas: twitter.com/micronotas

duas novidades e uma já velha

Ê, vida literária. Passei a última semana entre as conferências, palestras e oficinas, programação especial do SESC-PR com curadoria de José Castello. Ainda vou escrever sobre o que aprendi por lá. Não agora. Preciso desarrumar as malas. Quando parti, em agosto, não sabia que iria ficar tanto tempo fora de casa. Um mês e meio. Primeiro foi o Festival Nacional do Conto, em Jaraguá do Sul, com oficina de criação literária de Nelson Oliveira e curadoria de Carlos Henrique Schroeder, e depois as três tardes de leitura movida a cafeína sob a direção de Sérgio Rodrigues, na Biblioteca Pública do Paraná. Entre os encontros, cervejadas, cachaçadas & caminhadas solitárias pelas terras frias do Sul, ainda consegui ler e escrever um bom tanto. Enfim, foram semanas altamente produtivas. Mas isso já é notícia velha. Escrevo por outro motivo: durante a viagem, recebi duas notícias que merecem ser compartilhadas.

1. a partir de hoje, rola um seminário de crítica cultural na Bahia.

2. meu livro de contos, Notas Mínimas, está entre as obras de referência recomendadas por Milena Brito para o edital de estímulo à crítica de artes da Secult/BA. Ahã: fiquei bem contente de estar aí. Pronto, falei.


ANEXO II – OBRAS DE REFERÊNCIA PARA O EDITAL DE CRITICA

(…)

LITERATURA
De autores baianos

“Notas Mínimas”, de Katherine Funke – Solisluna Editora, 2010.
“A segunda sombra”, de Carlos Barbosa (Selo 3×4, Editora Multifoco, 2010)
“A morte e a morte de Quincas Berro D’água”, de Jorge Amado – Companhia das letras, 2008
“Livro de Canções e inéditos”, de Ruy Espinheira Filho – P55 edições, 2011
“poesia reunida e inédita”, de Florisvaldo Matos – Editora Escrituras, 2011
“Eros Resoluto”, de Marcos Vinicius – P55 edições, 2010
“Ao longo da linha amarela”, de João Filho – P55 edições, 2009
“Poemas para Antonio”, de Angela Vilma. –P55 edições, 2010
“Ananke”, de Marcos Dias – P55 edições, 2009
“São Jorge da Mata Escura”, de André Leal, Antonio Cedraz, Naara Nascimento e Marcello Fontana – RV Cultura e Arte, 2011

De outros Estados e Países
“Terra sonâmbula”, de Mia Couto. – Nova Fronteira, 1993
“Uma, Duas”, de Eliane Brum – Editora Leya, 2011
“Esquimó”, de Fabrício Corsaletti. – Cia das Letras, 2010
“Os anões”, de Veronica Stigger. Cosac Naify, 2010
“Os nove Pentes D’Africa”, de Cidinha da Silva. – Mazza Edições, 2010
“Hibisco Roxo”, Chimamanda Ngozi Adichie – Cia das Letras, 2011
“Paisagem com dromedário”, Carola Saavedra. – Cia das Letras, 2010
“Colecionador de Pedras”, Sérgio Vaz. – Global editora, 2007.

neste domingo (11/9)

Domingo (11/9), meio-dia, a rádio Udesc Educativa de Joinville (91,9 FM) exibe o programa À Moda da Casa com minha participação. O programa consiste em uma entrevista com o convidado, que escolhe 12 músicas e comenta o setlist. Juntei rock, Pira City, literatura, Bahia, Thurston Moore e algo mais. Reprise quarta, 22h. Pela web: http://www2.joinville.udesc.br/~radio/redeudesc.php

das oficinas

Oficinas literárias são ótimas oportunidades de aprendizado. Isso me move até elas: o desejo de aprender.

No fim de semana passado, participei da oficina de contos ministrada pelo romancista, contista, crítico, lenda urbana e professor Nelson de Oliveira (organizador da badalada antologia de contos “Geração Zero Zero”, da editora Língua Geral) durante o Festival Nacional do Conto, em Jaraguá do Sul (SC).

A partir de amanhã, na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, irei para a oficina de literatura do mineiro Sérgio Rodrigues, romancista, contista, crítico, blogueiro da Veja.com. Em 2010, assisti à oficina de Juan Villanueva Chang, editor da revista peruana de jornalismo literário Etiqueta Negra durante a Flip, e à do escritor e jornalista catarinense Rodrigo Schwarz, também em Jaraguá.

Até agora, é essa minha pequena carreira de aluna de oficinas literárias. E até agora, posso dizer que sempre valeu a pena. Volto delas com mil ideias, algumas dúvidas, uma porção de referências novas e a certeza de que para ser uma boa escritora preciso continuar encarando a arte como um ofício. Escrever, reescrever, transpirar, estudar, ler os outros, me reler e me criticar. Sem parar.

Não sei ainda o que esperar dessa com Sérgio Rodrigues. Vi a notícia no jornal Cândido, recém-lançado pela Biblioteca Pública do Paraná, me inscrevi e fui selecionada. Mas confesso que leio o Todo Prosa e o Sobre Palavras só muito, muuuuito de vez em quando… Onde é que eu vivo? Sei lá, no intervalo entre minha caneta e o papel? Vivendo e aprendendo!

Todas essas oficinas foram muito, muito boas.

Gostei especialmente do método de Nelson de propor exercícios. Não tínhamos muito tempo (oito horas, divididas em duas agradáveis tardes passadas no Sesc de Jaraguá), mas o premiado autor do romance “Poeira: demônios e maldições” nos fez aproveitar cada instante ao máximo. Com muitas gargalhadas e piadas ótimas, inclusive.

No primeiro dia, tivemos de escrever um conto-delírio com o tema da relação pai e filha, ou mãe e filha, ou pai e filho etc. A inspiração veio do curta “Father and Daughter”, integrante de do festival Anima Mundi e Oscar de melhor curta de animação em 2001. Depois, Nelson propôs outro exercício: um conto escrito por um narrador em primeira pessoa, mas deveria ser um narrador sem caráter, completamente calhorda.

A tarde seguinte começou com “Repete”, outro curta selecionado pelo Anima Mundi, em que diferentes histórias em loop não só se repetem como se misturam. O segundo exercício foi escrever um conto onde o personagem não tem forma humana definida. Cada exercício deveria ser feito em quinze minutos. Desafio. Total. Nelson pedia para que voluntários lessem seus textos, mas apenas aqueles que tivessem ficado satisfeitos com o que produziram.

Que tal tentar fazê-los por aí, mostrar para um amigo escritor, pedir opinião do colega? O grande lance é nunca parar de aprender, nem ter medo de colocar a cara à tapa, mesmo que o comentário alheio venha duro e cortante. O que importa, no fim, é buscar a perfeição da escrita.

menos

e se pudesse viver
tudo de novo
usaria
menos palavras

trecho de “Sem pressa”

–– tá, mas eu preferia não contar nada a respeito disso; porque tudo o que vira palavra deixa de ser aquela coisa sem nome dentro da gente, aquela coisa chamada memória, fato, sensação, sentimento, e deixando de ser coisa dentro da gente, passa a ser coisa de fora, e coisa de fora por coisa de fora, existem tantas por aí…

(trecho de umas das crônicas do livro “Sem pressa”, em produção. bolsa Funarte de criação literária 2010)

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